Londres. O terror volta a atacar no coração da Europa

Article @ Jornal I, published 23 March 2017

Um homem ainda por identificar esfaqueou um polícia e atropelou propositadamente dezenas de pessoas em frente às Casas do Parlamento. Há um português entre os feridos

Bastou um homem e um automóvel para semear a morte e o pânico na ponte de Westminster. O atacante, que foi descrito por testemunhas no local como “asiático” e com cerca de 40 anos, foi ferido mortalmente a tiro por agentes da polícia poucos minutos depois. Na mão levava uma faca de cozinha com mais de 10 centímetros.

“Vi um homem largo, vestido de preto, entrar pelo portão de New Palace Yard, mesmo por baixo do Big Ben”, contou o autor Quentin Letts que testemunhou a tragédia pela janela do seu escritório em Westminster.

“Tinha algo na mão, parecia um pau ou algo do género, e foi confrontado por dois agentes da polícia em casacos amarelos. Um dos policias de casaco amarelo caiu e pudemos ver o homem de preto mover o braço como se estivesse a esfaquear ou a agredir o policia.”

Quando o segundo agente se afastou para dar o alerta, o atacante tentou entrar no Palácio de Westminster mas foi interceptado por dois agentes armados que dispararam “duas ou três vezes.”

Algumas fontes sugeriram que o atacante era o islamista Abu Izadeen. Contactado pelo i, o advogado de Izadeen garantiu que o antigo líder do grupo extremista Al Ghurabaa se encontra ainda na prisão a servir uma pena de quatro anos por ofensas terroristas.

Westminster é uma das áreas de maior afluência turística em Londres e muitas das testemunhas entrevistadas pela imprensa eram de facto visitantes estrangeiros, apanhados no meio da tragédia.

A polícia confirmou a morte de cinco pessoas, incluindo o atacante, o agente da polícia e duas das vítimas atropeladas sobre a ponte de Westminster. Mais de vinte pessoas foram dadas como feridas com diferentes níveis de gravidade.

Imagens dramáticas do local mostraram transeuntes prostrados por toda a extensão da ponte, que atravessa o Tamisa entre Westminster e um dos maiores hospitais da capital. A maioria das infraestruturas governamentais britânicas encontra-se sediada na área, com a maior parte dos ministérios a meros metros do local do ataque.

Polícia armada nas ruas

O comissário assistente da unidade contraterrorista da Metropolitan Police, Mark Rowley, disse que estava em curso “uma investigação meticulosa” e que uma maior presença de polícia armada seria notada nas ruas de Londres nos próximos dias. Rowley indicou também que “apoio militar” poderia ser requisitado.

Centenas de deputados ficaram retidos no parlamento até tarde devido às fortes medidas de segurança no perímetro. Todas as atividades parlamentares foram interrompidas e políticos e jornalistas foram vistos a confraternizar sombriamente nas alas do Palácio de Westminster à espera de se lhes ser permitida a saída.

“Os meus pensamentos estão com as vítimas e as suas famílias,” disse o presidente da câmara de Londres, Sadiq Khan. “Gostaria de expressar os meus agradecimentos à polícia e aos serviços de emergência que trabalham tão duramente para nos manter seguros e mostram uma coragem tremenda em circunstâncias excecionalmente difíceis.”

O corpo oficial representante dos muçulmanos britânicos, o Muslim Council of Britain, também publicou um comunicado: “Estamos chocados e entristecidos pelo incidente em Westminster. Condenamos este ataque e se bem que ainda seja muito cedo para especular sobre os motivos, os nossos pensamentos e orações estão com as vítimas e os demais afetados. Prestamos também homenagem à polícia e aos serviços de emergência que lidaram com bravura [com o ataque]. O Palácio de Westminster é o centro da nossa democracia e todos nós temos que garantir que continua a servir o nosso país e os seus cidadãos com segurança.”

A primeira ministra Theresa May reuniu-se com o comité de emergência terrorista, Cobra, horas depois da tragédia para discutir que medidas tomar no futuro. O Reino Unido tem vivido sob o estado de alerta “severo” desde 2014.

Os últimos dados apontam para quatro mortos e 20 feridos, entre os quais um português. O ato terrorista veio exatamente um ano depois dos ataques terroristas de 22 de março de 2016 em Bruxelas, que fizeram 35 mortos e mais de 300 feridos.

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